terça-feira, 7 de outubro de 2008

Os olhos dos meninos da rua

Ontem de manhã cruzei com um olhar conhecido.
O olhar do menino de rua e do seu amigo.
Vejo-o muito por estes dias.
Mais que em outras alturas.
Os entendidos dizem que são sinais de crise.
Se pensassem bem, diriam que era crime
Que os meninos não deveria estar na rua,
mas a brincar, a correr, a sonhar com a lua.

Mas que sei eu da vida?
Sou apenas a bruxa madrinha
de uma pequena bruxinha.
Uma bruxa que olha e deixa o mundo passar à sua volta
E que sente que nada pode fazer para mudá-lo.

Mas dizia eu que me cruzei com o olhar do menino de rua
O menino, na vedade brincava, corria e sonhava com a lua.
Como sei eu isso?
Porque sentado no passeio ele cabeceava de sono.
De olhos fechados, sereno sonhava...
Sonhava e recusava-se a acordar.

O amigo dele estava bem acordado.
E estar acordado significava que os olhos dele
estavam já desconfiados e duros
Duros como o mundo que os rodeia,
indiferente e surdo.
Enconstado ao poste, olhando a rua
ele já não sonhava, nem sorria...

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Bruxas, diabos e demónios

Ontem estava com a minha irmã nos bracos... e ela, com aquela cabecinha esperta perguntava-me coisas como só os adultos criancas sabem fazer, e que deixam os adultos não criancas despreparados. Perguntava-me sobre Deus, Diabo, maldade e quem é ou não filho de Deus. E eu pus-me a pensar, lá foi alguém encher a cabeca desta menina com mitos desinteressantes que separam o mundo entre bom e mau, feio e bonito, e outras oposicões mentirosas. E ouvi-me explicar que todos somos filhos de Deus, mesmo o diabo e os seus demónios. Que há quem pense que o diabo é mau. Que Deus não é físico como as pessoas (não tem carne, ossos nem pele). Que Deus sempre existiu, mesmo antes de nós... Mas no fim pensei também: qual é o sentido?! Alguém virá e destruirá esta versão... alguém falará do bicho papão, do diabo mau, das bruxas feiticeiras comedoras de criancinhas... e todo o meu trabalho estará arruinado.

Como bruxa, filha e neta de bruxas e tendo como pai um demónio, constantemente enamorada de feiticeiros, sinto-me profundamente ofendida com essa versão do mundo descolorida!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

O menino de rua sem rua

Hoje vi o menino de rua da rua da amiga da minha bruxinha. Estava com um amigo. Estava feliz. Ria e conversava. Era uma criança linda e feliz como as outras. Baloiçava no baloiço do restaurante onde eu almoçava. Esquecido da vida, esquecido da rua. E com a felicidade dele eu me admirava. Me admirava que o menino da rua também sabia ser menino, ser feliz, conversar e baloiçar. Me admirava porque eu do menino da rua só tinha visto olhos velhos e sabidos e choro nos lábios, sorriso cansado. Eu não sabia que os meninos de rua sabiam ser meninos só, sem rua.

Mas veio o senhor do restaurante e olhou para os meninos com olhos desaprovadores e duros. Deu dois passos na sua direcção, e sem palavras o menino e o amigo do menino levantaram-se. Primeiro com susto de meninos nos olhos. Depois os olhos voltaram a ser velhos e sabidos como sempre. O menino deixou de ser menino só. Passou a ser de novo a menino de rua. E lá saiu para a sua. Sem sorriso, sem felicidade, sem conversa. Com os olhos de quem sabe que o menino de rua não pode ser menino, só pode ser da rua.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Mrs. Pepperpot

Esta personagem é originalmente de um autor noruegues, Alf Prøysen. Os japoneses transformaram-na em desenhos animados e eu via-a em Portugal... a magia e fantasia realmente não têm fronteiras.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Nu pogodi

Já me tinha esquecido completamente da influência russa na minha infância. Pois... mais vale tarde que nunca.

Irmãos

Durante as minhas deambulacões pela net encontrei dois irmãos de quem gostei muito. E que me fizeram lembrar a minha bruxinha e o irmão dela. Chamam-se Charlie e Lola.

Nesta história Lola quer ser maior que o Charlie...



quinta-feira, 10 de julho de 2008

A Linha

de Cavandoli

A genialidade com apenas uma linha... as criancas percebem melhor, mas adultos também podem ver!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

O velho McDonald

sábado, 7 de junho de 2008

Wild child (cria selvagem)



Real Wild Child (original de Iggy Pop)interpretado por Everlife, com Kovu e Kiara da banda desenhada Lion King.

Beijos da madrinha

domingo, 1 de junho de 2008

Silencio

Não, a medrinha não vai cantar o fado.
A madrinha tem pensado muito na sua bruxinha amada,
Mas o pensar não trazem palavras.
A madrinha não anda inspirada.
Passa as horas em silêncio e a pensar
Que coisas, que coisas mais terei para contar?