domingo, 12 de abril de 2009

Amor e separação

A lógica dos pequenos adultos é imbatível... Uma vez li que adultos são fadas que se esqueceram que são fadas. Ouvi já vezes sem conta também que porque perdem a sua pureza (para mim a sabedoria) os adultos não sentem como as crianças os espíritos, as almas e a maldade...

Ontem perguntou-me a minha irmanzinha se a razão porque me estava a mudar da casa da minha mãe era porque não gostava mais dela. Como explicar que os adultos têm necessidades egoístas como espaço e individualidade? Que precisam de exercitar a sua sanidade afastando-se dos outros? E mesmo assim não consideram que deixaram de gostar dos outros adultos de quem se estão a afastar.

E mais que isso, que conseguem ficar junto de adultos que de facto não gostam... Por razões que racionalmente são inexplicáveis. Em que momento começa a sabedoria a desaparecer? Sim, porque enganam-se os que pensam que a sabedoria aumenta com a idade. Só quem se mantém criança pode mantê-la intacta. Já quem aspira a crescer...

Por isso não me venham com histórias que quando as crianças crescerem é que vão entender. Nós é que quando crescemos deixamos de entender o que quer que seja e inventamos versões da vida que não fazem sentido nenhum.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Meu mundo

É sempre quando não se espera, quando não se pensa que surgem respostas para perguntas que não se faz e que de repente dão sentido a toda uma longa existência.



Danae - Meu mar

Desculpe se as cordas do meu violão não conseguem dizer
Nem a bruxa nem as cartas
me sabem dizer
É tão efémero o que o poeta diz
Teu abraço me molda o pé
no caminho da lucidez
É que você é tão azul que eu nunca sei eu nunca sei
É que você é tão lunar que eu nunca sei eu nunca sei
Eu... gosto de você ai ai
Eu... gosto de você meu mar meu mar meu mar meu mar meu mar meu mar
Eu... gosto de você ai ai
Eu... gosto de você meu mar meu mar meu mar meu mar meu mar meu mar

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Para quem crê



Nici Santa - que los hay, los hay!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Opressão infantil

No outro dia a minha irmã pequenina explicou-me que já sabia ler. Sabia também que o E de Henrique era oprimido. Não podia deixar de rir, mesmo sabendo que o que ela queria dizer é que o ela queria dizer era que o H era silencioso.

Entre silêncio e opressão vai uma certa distância... ou se calhar até nem tanta.

Quando eu era pequenina a minha mãe disse que quando me mudei para o leste da Europa deixei de desenhar armas e soldados e passei a desenhar flores e pássaros, fadas e bardos.

Hoje recebi um mail com uma crianca a contar o que se deve fazer quando se apanha um ladrão. E com lustracões e tudo, publicado num jornal de grande circulacão, a crianca acha que se deve amarrar, bater e queimar...

Santos céus... que país é este que ensombra as mentes das criancas assim?

Venham as flores e os pássaros, as fadas e os bardos... há tempo para se descobrir que o E é oprimido pelo H silencioso!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

sábado, 1 de novembro de 2008

Idade dos porquês

A minha bruxinha já mostra a sua essencia bruxuleante e um grande poder de imobilizacão... Ao terno camponês que a acolheu na sua cabana, que a adora, a teme, mas a deixa livre para explorar a sua unicidade... que a protegerá de toda e qualquer fogueira da intolerância e incompreensão segredo o mistério primeiro das bruxas:

Se tem idade de perguntar, tem idade para saber a resposta!

Apenas os humanos ingénuos temem a frontalidade, honestidade e transparência. Há sempre uma maneira de responder sem nos sentirmos imobilizados, e acima de tudo sem ter que mentir. As bruxas topam a mentira a milhas... e odeiam-nas profundamente. Acima de tudo preferem o silêncio a serem tomadas por idiotas. Mesmo que elas ainda não tenham descoberto as respostas, em breve saberão, e quando as souberem não gostarão de terem sido enganadas.

E o terno camponês que cuida da minha bruxinha sabe, já sentiu provas que não há nada pior que o olhar crítico e o silêncio de uma bruxa desapontada. O que o safa é o único antídoto capaz de render os poderes de qualquer bruxa inúteis: o seu amor incondicional.

Relaxa doce camponês: a bruxinha te ensinará que tudo é sempre mais fácil do que aquilo que imaginas. A humanidade é que insiste em complicar sempre tudo. Se perderes um pouco da tua humanidade verás que serás uma pessoa mais solta, mais feliz, mais sorridente.

Que privilégio o teu de poderes aprender isso diariamente!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Os olhos dos meninos da rua

Ontem de manhã cruzei com um olhar conhecido.
O olhar do menino de rua e do seu amigo.
Vejo-o muito por estes dias.
Mais que em outras alturas.
Os entendidos dizem que são sinais de crise.
Se pensassem bem, diriam que era crime
Que os meninos não deveria estar na rua,
mas a brincar, a correr, a sonhar com a lua.

Mas que sei eu da vida?
Sou apenas a bruxa madrinha
de uma pequena bruxinha.
Uma bruxa que olha e deixa o mundo passar à sua volta
E que sente que nada pode fazer para mudá-lo.

Mas dizia eu que me cruzei com o olhar do menino de rua
O menino, na vedade brincava, corria e sonhava com a lua.
Como sei eu isso?
Porque sentado no passeio ele cabeceava de sono.
De olhos fechados, sereno sonhava...
Sonhava e recusava-se a acordar.

O amigo dele estava bem acordado.
E estar acordado significava que os olhos dele
estavam já desconfiados e duros
Duros como o mundo que os rodeia,
indiferente e surdo.
Enconstado ao poste, olhando a rua
ele já não sonhava, nem sorria...

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Bruxas, diabos e demónios

Ontem estava com a minha irmã nos bracos... e ela, com aquela cabecinha esperta perguntava-me coisas como só os adultos criancas sabem fazer, e que deixam os adultos não criancas despreparados. Perguntava-me sobre Deus, Diabo, maldade e quem é ou não filho de Deus. E eu pus-me a pensar, lá foi alguém encher a cabeca desta menina com mitos desinteressantes que separam o mundo entre bom e mau, feio e bonito, e outras oposicões mentirosas. E ouvi-me explicar que todos somos filhos de Deus, mesmo o diabo e os seus demónios. Que há quem pense que o diabo é mau. Que Deus não é físico como as pessoas (não tem carne, ossos nem pele). Que Deus sempre existiu, mesmo antes de nós... Mas no fim pensei também: qual é o sentido?! Alguém virá e destruirá esta versão... alguém falará do bicho papão, do diabo mau, das bruxas feiticeiras comedoras de criancinhas... e todo o meu trabalho estará arruinado.

Como bruxa, filha e neta de bruxas e tendo como pai um demónio, constantemente enamorada de feiticeiros, sinto-me profundamente ofendida com essa versão do mundo descolorida!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

O menino de rua sem rua

Hoje vi o menino de rua da rua da amiga da minha bruxinha. Estava com um amigo. Estava feliz. Ria e conversava. Era uma criança linda e feliz como as outras. Baloiçava no baloiço do restaurante onde eu almoçava. Esquecido da vida, esquecido da rua. E com a felicidade dele eu me admirava. Me admirava que o menino da rua também sabia ser menino, ser feliz, conversar e baloiçar. Me admirava porque eu do menino da rua só tinha visto olhos velhos e sabidos e choro nos lábios, sorriso cansado. Eu não sabia que os meninos de rua sabiam ser meninos só, sem rua.

Mas veio o senhor do restaurante e olhou para os meninos com olhos desaprovadores e duros. Deu dois passos na sua direcção, e sem palavras o menino e o amigo do menino levantaram-se. Primeiro com susto de meninos nos olhos. Depois os olhos voltaram a ser velhos e sabidos como sempre. O menino deixou de ser menino só. Passou a ser de novo a menino de rua. E lá saiu para a sua. Sem sorriso, sem felicidade, sem conversa. Com os olhos de quem sabe que o menino de rua não pode ser menino, só pode ser da rua.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Mrs. Pepperpot

Esta personagem é originalmente de um autor noruegues, Alf Prøysen. Os japoneses transformaram-na em desenhos animados e eu via-a em Portugal... a magia e fantasia realmente não têm fronteiras.